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DOM PEDRO JOSÉ CONTI - BISPO DE MACAPÁ


Cair do cavalo - Dom Pedro José Conti

Peço desculpas a São Pedro se este ano vou falar mais de... São Paulo. Acontece que a partir do final de junho até a mesma data do próximo ano celebraremos, no mundo, todo o Ano Paulino. Uma forma que a Igreja Católica encontrou de lembrar e festejar, de maneira extraordinária, aquele grande apóstolo, missionário e evangelizador dos pagãos que foi, justamente, São Paulo.
Todos devemos lembrar a presença do então Saulo, no apedrejamento do protomártir Estevão, narrada nos Atos dos Apóstolos. Como também sempre chama atenção a famosa queda dele do cavalo no caminho rumo a Damasco. Saulo mudou radicalmente de vida e até de nome. De perseguidor, tornou-se testemunha de Cristo, a tal ponto de ser martirizado, em Roma, por volta dos anos 70.
Pensando bem, o nosso encontro com Jesus deveria ser para mudar mesmo a nossa vida. A outros santos famosos, por exemplo: Santo Agostinho, São Francisco, Santo Inácio de Loyola, aconteceu o mesmo. Eles mudaram de vida, de uma vez por todas, deixando para trás tudo o que começaram a reconhecer como “lixo”, segundo as palavras do próprio São Paulo. Com a fé encontraram o tesouro mais valioso de todos.
Nem sempre as conversões aconteceram e acontecem com tanta rapidez e determinação. No entanto, de uma forma ou de outra, algo de visível e concreto deve aparecer. Quando a nossa fé e as suas manifestações viram rotina, bem encaixadas no planejamento da nossa vida, junto - por exemplo- ao trabalho, ao passeio, às compras, às férias, é para por em dúvida se encontramos o Jesus verdadeiro ou uma caricatura dele, adocicada e folclórica. Mais enfeite de parede, de pescoço ou de orelha, do que razão de vida.
Se as nossas crenças não incomodam, nem um pouco, o nosso cotidiano, é sinal de que ainda não caímos do nosso cavalo. Ali estamos bem instalados, com todas as nossas seguranças. Chegamos a pensar que Deus esteja conosco, simplesmente porque nós o colocamos, devota e respeitosamente, em um cantinho da nossa vida. Mas atenção: pode ser somente um amuleto contra os malefícios e o mau olhado.
O seguimento de Jesus é sincero, quando deixamos que ele revolucione a nossa vida: nas idéias, nos projetos, na busca e no uso dos bens, no encontro com as pessoas, na consciência. Exceto isso é difícil acreditar que algo de novo tenha acontecido, realmente, em nossa vida. Jesus continua bem fechado no seu sepulcro, ainda não ressuscitou para nós.
Nesse sentido, São Paulo sempre será um exemplo de mudança de vida séria e profunda, mas também de amor apaixonado por Jesus. O ódio e a perseguição dos cristãos transformaram-se em total dedicação e seguimento destemido. O apóstolo ficou tão feliz por ter sido agarrado por Jesus, que não queria mais deixá-lo. O único medo dele era ter corrido em vão e perder, no último instante, o prêmio incomparável que aguarda todos os que travam o bom combate da fé.
Se alguém achar que esse homem foi um fanático, um carente com complexo de inferioridade, que se autopromovia defendendo o próprio trabalho apostólico com discursos brilhantes de oratória, é porque nunca leu as suas cartas. O objeto da pregação de São Paulo foi a Cruz do Senhor Jesus, e a única razão da sua vida, o amor incondicional a Ele. Nem o maior namorado diria à namorada que, por amor, está disposto a “desculpar tudo, crer tudo, esperar tudo, suportar tudo” (cfr. 1 Cor 13,7). Seria arriscado demais. No entanto São Paulo falava assim do amor de Deus, do amor que deveria tomar conta da nossa vida, do amor verdadeiro que jamais acabará. Que coragem!
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá
Fonte: CNBB

2 comentários:

Professor Moisés, o amigo da História disse...

Esse é o bispo que admiro. Sempre utilizando a tecnologia a favor da evangelização. Um abraço! sinto saudades.

Moises, aquele ex-seminarista.

samylla disse...

estou com muita saudade e gostaria de saber quando vc vem nos visitar em paragominas.
um abraço. by:marly