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DOM ORANI JOÃO TEMPESTA, O. Cist. - ARCEBISPO METROPOLITANO


Ano Jubilar Paulino - Dom Orani João Tempesta

Dia 28 de junho, iniciamos com toda a Igreja o “Ano Paulino”. Iremos comemorar os 2000 anos do nascimento do apóstolo Paulo. O Papa Bento XVI anunciou este jubileu há um ano atrás e concedeu graças especiais para que possamos celebrá-lo não apenas solenemente, mas com frutos para a nossa vida espiritual e, principalmente, para a vida missionária. Para nós da América Latina e Caribe que vivemos em “estado de missão” e para nossa Arquidiocese de Belém que está colocando em prática, pouco a pouco, o projeto “Belém em Missão” preparando-nos para os 400 anos do início da Evangelização aqui no portal da Amazônia, é um grande momento de graça e de grandes possibilidades de animação.
Em Paulo Apóstolo nós encontramos o resumo da cultura daquela época e região: cidadão romano, cultura hebraica e cultura grega. Foi este homem que o Senhor escolheu para ser o Apóstolo das gentes e fermentar com a sua palavra e testemunho a expansão do cristianismo até os confins do mundo então conhecidos.
Incansável em sua pregação e suas caminhadas, São Paulo é para nós hoje um grande sinal colocado para que neste nosso difícil século não tenhamos medo de enfrentar os novos areópagos que a cada dia aparecem diante de nossos olhos e nos colocam sempre a caminho de novos diálogos e novas descobertas.
Apostolo aceito e rejeitado, festejado e apedrejado, acolhido e não recebido, mas sempre com novas energias levanta-se de cada situação com novo ânimo e continua a sua pregação e testemunho.
Fica para nós o motivo do envio para o julgamento em Roma, diante do Imperador: “alegaram contra ele algumas questões atinentes à sua própria religião, e com relação a um certo Jesus, já morto, do qual Paulo afirma que está vivo” (At 25, 19). Será a experiência do encontro com Cristo que ele repetirá sempre como motivação principal de sua transformação, como o fez em sua autodefesa ante o rei Agripa (At 26). mostrando como o Senhor “o agarrou e enviou” mudando-lhe a vida e nome.
“Paulo (Saulo, Saul) nasceu de pais judeus em Tarso (na atual Turquia) nos primeiros anos da era cristã. Por uma certa tradição e convenção estamos comemorando os seus 2000 anos neste ano jubilar (2008-2009). Fariseu por tradição de família, aprendeu, segundo o costume judaico, um trabalho manual ou artesanato: era tecelão. Cedo foi para Jerusalém e estudou na escola de Gamaliel, famoso rabino da época. Não conheceu Jesus histórico e nem presenciou a sua paixão e morte. Mas é certo que estava em Jerusalém pouco depois, quando Estevão foi apedrejado. Ali perseguiu violentamente os cristãos e, com o mesmo fim, dirigiu-se a Damasco com cartas que o autorizava à perseguição contra a Igreja nascente. A caminho, apareceu-lhe repentinamente Jesus, e é quando começa a sua conversão ao cristianismo (mais ou menos nos anos 34 a 36 d. C). Em Damasco recebeu o batismo. Três anos passou em lugar deserto, na Arábia. De volta a Damasco, pregou o evangelho aos judeus, que o perseguiram de morte. Fugiu para Jerusalém, onde visitou Pedro e dali foi para Tarso. Posteriormente se apresentou em Antioquia da Síria. Com Barnabé, empreendeu sua primeira viagem missionária a Chipre e às regiões da atual Turquia (45-49). Fundou diversas comunidades cristãs naquelas regiões. Numa segunda viagem a essas regiões (49-52), atingiu também a Europa, evangelizando a Grécia. Voltou a percorrer essas regiões com roteiro diferente, na terceira viagem missionária (53-58) permanecendo bom tempo nas cidades de Éfeso e de Corinto.
Na Grécia recolheu dinheiro para ajudar a igreja-mãe de Jerusalém aonde foi levá-lo, com o propósito de empreender depois uma viagem a Roma e à Espanha. Porém, os judeus promoveram em Jerusalém um motim contra ele; foi preso pela guarnição romana, ficando detido por dois anos (59-61). Apelou para César; por isso foi levado para Roma, onde passou outros dois anos de prisão moderada (61-63). Terminam aqui as indicações bíblicas diretas. Segundo o autor Clemente Romano e o Fragmento de Muratori, no ano 63 fez uma viagem à Espanha. Parece que voltou logo e de novo foi conduzido preso a Roma sendo aí decapitado talvez em 67”. (cfr. Novo Testamento da Liga de Estudos Bíblicos).
A vida desse grande evangelizador e homem de Deus, seus escritos e seu trabalho iremos estudar mais profundamente neste ano do seu jubileu, pedindo a Deus que nos ajude a ter o mesmo ânimo que lhe dirigiu a vida e disposição para estar como ele em constante estado de missão.
No próximo dia 28, iremos iniciar com uma concentração às 18 horas na Igreja Matriz de São Francisco de Assis (Capuchinhos), de onde partiremos em procissão para a Igreja Matriz da Paróquia de São Pedro e São Paulo, onde, às 19 horas, teremos as solenidades da abertura e proclamação do ano jubilar na arquidiocese e o anúncio dos principais horários e eventos para o calendário anual.
Entregaremos nessa ocasião uma imagem de São Paulo que percorrerá durante o ano todas as Paróquias da Arquidiocese, para encerrarmos com a grande celebração única da Crisma anual, sacramento que nos torna Apóstolos Missionários, no dia 28 de junho de 2009, domingo. Durante esse tempo temas sobre a sua vida e missão estarão sendo estudados em nossas comunidades assim como toda uma programação cultural e teológica de aprofundamento que o nosso Centro de Cultura providenciará.
Convido a todos para essa abertura do ano jubilar no próximo sábado e a iniciarmos juntos, com um grande ardor, o ano Paulino em nossa arquidiocese.
Dom Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano

Fonte:CNBB

DOM JACINTO BERGMANN - BISPO DE TUBARÃO - SC

DOM JACINTO BERGMANN - BISPO DE TUBARÃO - SC

ANO PAULINO
MISSÃO DE “POPULARIZAR” SÃO PAULO?

Na história da Igreja existiram grandes santos que não chegaram a ser “populares”, quer dizer, não entraram no imaginário coletivo dos cristãos com a magnitude que alguém pensaria.

É o caso de São Paulo. Quando se fala do apóstolo “secamente”, se entende o apóstolo Paulo. Sua conversão, sua ação evangelizadora no extenso império romano, suas cartas que atravessaram os séculos, são testemunho claríssimo de sua indubitável grandeza.

Desde há dois mil anos, as gerações cristãs alimentaram sua fé nos escritos do apóstolo, as grandes reformas da Igreja os tiveram como referências privilegiadas, igualmente o próprio magistério e a teologia.
Apesar de tudo isso, sua presença “popular” não foi muito grande, embora, em alguns casos, muito significativa. Basta ver a aventura paulina na história da Igreja.
São João Crisóstomo, já no século IV, chamava a atenção que muitos cristãos, não só não liam Paulo, como também nem sequer sabiam quantas cartas havia escrito.
Aspectos mais positivos, porém, apareceram na história.

Em plena revolta protestante, e enquanto os reformadores fazem de Paulo uma bandeira de protesto contra a Igreja de Roma, Santo Antônio Maria Zacaria (1502-1541) funda os “Clérigos Regulares de São Paulo”, com a finalidade de imitar o apóstolo em sua missão evangelizadora, exigida pelos tempos, e impulsionar uma renovação da Igreja de seu tempo.

Em 1696 e 1699, nascem em Chartres (França), duas congregações de “Filhas de São Paulo” que, com o patrocínio do apóstolo, se dedicavam a obras de caridade em escolas e hospitais. Sempre na França, nos encontramos com as “Damas de Saint-Paul”(1825), também dedicadas à educação cristã das jovens.

E não faltou um “Instituto Cegas de São Paulo” (1852), formado por mulheres cegas e não-cegas, para ajudar as pessoas cegas, fazendo realidade as palavras de Paulo: “Agoras somos luz em Cristo”.

São Vicente Pallotti (1795-1850), em seu tempo, foi capelão diretor de uma “Sociedade de São Paulo”, dedicada à instrução cristã dos soldados. Mais tarde, inspirado em São Paulo, dá vida à “Sociedade do Apostolado Católico”.

Em 1896, encontramos na Alemanha, as “Irmãs de São Paulo”, uma congregação religiosa dedicada ao serviço dos enfermos e dos pobres.
Contudo, foi preciso esperar a metade do século XIX para que se comece a pensar no apóstolo Paulo em termos mais atualizados.

A isso contribuiu sem dúvida, Mons. Wilhelm Ketteler, bispo de Manguncia (Alemanha), apóstolo da imprensa católica (1856, funda “Der Katholik”) e pioneiro da questão operária (1864). É sua a frase: “Se São Paulo vivesse hoje, seria jornalista”, tornando-se ela um símbolo e uma fonte de inspiração para os homens da imprensa católica.
Desde então, jornalistas, grupos e até fundadores começam a olhar Paulo como o comunicador ideal da mensagem evangélica, realizada com os meios e os métodos modernos de comunicação: em 1858, nos Estados Unidos, Pe. Issac Thomas Hecker, com os “Sacerdotes Missionários de São Paulo”; em 1873, na Suíça, Côn. Joseph Schorderet, com a “Obra de São Paulo; em 1875, na Itália, surge a “Sociedade de São Paulo”; em 1895, na China, surge o “Instituto Irmãos de São Paulo”; em 1903, no Líbano, aparecem os “Missionários de São Paulo”; no início de séc. XX, os Assuncionistas do Pe. D’Alzon (França) fundam o “Barco de São Paulo” para levar material impresso para a instrução cristã dos moradores das ilhas entre França e Inglaterra.

Um passo decisivo e bem atualizado acerca de São Paulo em nosso tempo, estava reservado a duas instituições que nascem quase ao mesmo tempo e com atividades bem parecidas: a “Sociedade de São Paulo” do Pe. Tiago Alberione, em 1914, e a “Companhia de São Paulo”, conhecida também como “Obra Cardeal Ferrari”, em 1921. A última composta em sua maioria por leigos.

Já o Pe. Tiago Alberione (1884-1971), com o mérito de ter assumido São Paulo de forma integral, converte a “Sociedade de São Paulo” em uma verdadeira “Família Paulina”, formada por sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, com vários ramos, chamados a reproduzir uma determinada faceta do Apóstolo: Paulo - missionário com os meios de comunicação, homem de oração, fundador e animador de comunidades, promotor de vocações, incentivador da humanização das realidades temporais.

Como se pode ver, não são muitos os institutos titulados ao apóstolo São Paulo, porém constituíram-se, através do tempo, fundações e movimentos com traços cada vez mais especificamente “paulinos”, aos poucos aguçando a sua originalidade missionária: ir aos que estão longe, com todos os meios ao seu alcance para comunicar-lhes Cristo, o único Salvador.
Contudo, diante de tanta grandeza, fica a questão inicial: Conseguiram todos estes intentos “popularizar” a figura de São Paulo, fazê-la penetrar massivamente no povo cristão? Talvez ainda não.

O Ano Paulino, convocado pelo Papa Bento XVI, certamente tem a missão de “popularizar” mais o grande apóstolo Paulo. É a nossa grande esperança!

Dom Jacinto Bergmann
Bispo de Tubarão-SC
Fonte:CNBB